"Eu era mal humorada ...quando nasci, sou mal humorada hoje e serei mal humorada pelo resto da minha vida…que alivio!"

sábado, dezembro 10, 2011


Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio

Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito
Mas a outra metade é silêncio.

Que a música que ouço ao longe
Seja linda ainda que tristeza
Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante
Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade.

Que as palavras que eu falo
Não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor
Apenas respeitadas
Como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo.

Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço
Que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada
Porque metade de mim é o que eu penso mas a outra metade é um vulcão.

Que o medo da solidão se afaste, e que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável.
Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso
Que eu me lembro ter dado na infância
Por que metade de mim é a lembrança do que fui
A outra metade eu não sei.

Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
Pra me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço.

Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
Porque metade de mim é platéia
E a outra metade é canção.

E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade também.




Oswaldo Montenegro.



sábado, dezembro 03, 2011



A impontualidade do amor.!
Você está sozinho.Você e a torcida do Flamengo. Em frente a TV devora dois pacotes de Doritos enquanto espera o telefone tocar. Bem que podia ser hoje bem que podia ser agora um amor novinho em folha. Trimmm! È sua mãe quem mais poderia? Amor nenhum faz chamadas por telepatia. Amor não atende com hora marcada. Ele pode chegar antes do esperado e encontrar você numa fase galinha sem disposição para relacionamentos sérios. Ele passa batido e você nem aí. Ou pode chegar tarde demais e encontrar você desiludido da vida desconfiado cheio de olheiras. O amor dá meia volta volver. Por que o amor nunca chega na hora certa? Agora por exemplo que você está de banho tomado de camisa e jeans. Agora que você está empregado lavou o carro e está com grana para um cinema. Agora que você pintou o apartamento ganhou um porta-retratos e começou a gostar de jazz. Agora que você está com o coração às moscas e morrendo de frio. O amor aparece quando menos se espera e de onde menos se imagina. Você passa uma festa inteira hipnotizado por alguém que nem te enxerga e mal repara em outro alguém que só tem olhos para você. Ou então fica arrasado porque não foi pra praia no final de semana. Toda a sua turma está lá agarrando-se uns aos outros. Sentindo-se um ET perdido na cidade grande você busca refúgio numa locadora de vídeo sem prever que ali mesmo na locadora irá encontrar a pessoa que dará sentido a sua vida. O amor é que nem tesourinha de cortar unha nunca está onde a gente pensa. O jeito é direcionar o radar para o norte sul leste e oeste. Seu amor pode estar no corredor de um supermercado pode estar impaciente na fila de um banco pode estar pechinchando numa livraria pode estar cantarolando sozinho dentro de um carro. Pode estar aqui mesmo no computador dando o maior mole. O amor está em todos os lugares você que não procura direito. A primeira lição está dada: o amor é onipresente. Agora a segunda: mas é imprevisível. Jamais espere ouvir eu te amo num jantar à luz de velas no dia dos namorados. Ou receber flores logo após a primeira transa. O amor odeia clichês. Você vai ouvir eu te amo numa terça-feira às quatro da tarde depois de uma discussão e as flores vão chegar no dia que você tirar a carteira de motorista depois de aprovado no teste de baliza. Idealizar é sofrer Amar é surpreender.

Luís Fernando Veríssimo.